No hospital

A minha filha mais nova caiu e rachou a cabeça ao princípio da tarde. Lá fomos nós para o Hospital de Viana do Castelo, deixando a avó e a irmã mais velha preocupadíssimas.

Fomos atendidos com a celeridade que requer uma criança de três anos com um golpe bastante fundo (apesar de estar consciente que aos pais parece sempre mais profundo do que na realidade é). Primeiro entrou a mãe com a I. Passados uns minutos (muitos da prespectiva de um pai ansioso), tiveram a amabilidade de virem ter comigo para me dizerem que podia ir ter com elas.

Mais espera, o médico estava a fazer uma reanimação. Por esta altura a I dormitava ao colo da mãe. Tão sossegada, e com a testa toda esfrangalhada...

Finalmente chamam por ela. Deitamo-la na marquesa. O enfermeiro vai conversando como pode com a I: não é fácil manter uma conversa com uma criança que não costuma falar com desconhecidos, ainda por cima ensonada.

Tem duas feridas: uma grande mesmo por cima da sobrancelha que, tal como esperavamos, vai levar pontos, e uma mais pequena cerca de dois cm ao lado.

Anestesia: várias picadelas na zona da ferida. Começa a chorar: "Oh papá! Dói muito!". Vou-lhe falando baixinho enquanto lhe seguro na mão. Assim que a anestesia começou a fazer efeito parou de chorar. Apesar disso, continuou a segurar no meu dedo com a mãozita. Não me largou o dedo o tempo todo.

O médico começou a dar os pontos e a I manteve-se sossegadita até ao fim da primeira ferida. Tanto o médico como o enfermeiro elogiam a nossa heroína: está-se a portar muito bem.

Falta a ferida menor: para ficar bem devia levar um pontito. Vai ser sem anestesia porque a picadela da anestesia também iria doer (coitadinha da nossa princesa). A não utilização da anestesia impressiona a mãe. Choro outra vez, afinal sempre era sem anestesia.

"'Tá a doer..." e apertava a mãozinha. A outra mão ía em movimentos regulares aos olhos para limpar as lágrimas, sem nunca repelir o que lhe fazia doer. Depois do ponto, penso plástico para proteger a ferida.

Terminado o tratamento, e assim que saimos do edifício do Hospital, ganhou novo ânimo, era a velha I de sempre.

Não posso deixar passar em claro a simpatia, o profissionalismo e a humanidade com que fomos tratados no Hospital de Viana do Castelo. A todo o seu pessoal um grande bem hajam.

9 comentários a No hospital

  1. Rosário Dias Diogo
    terça-feira, 15 de junho de 2004 @ 15:03

    E as memórias são muitas e muito boas... Obrigada.

    Fez-me lembrar o Kiko Badamico que tem a sorte de não saber o que é um hospital. Tem dois avôs e uma tia-avó médicos que o trataram das duas vezes que partiu a cabeça. O resto da família, que das duas vezes estava de volta dele, é que ainda não recuperou do susto.

  2. M.
    terça-feira, 15 de junho de 2004 @ 00:50

    aiii que vergonha!!!

    ..enfermeiros..

    Vou dormir, que isto é sono!

  3. M.
    terça-feira, 15 de junho de 2004 @ 00:48

    ... ambas as sobrancelhas...

  4. M.
    terça-feira, 15 de junho de 2004 @ 00:47

    Fizeste-me recordar as minhas idas ao hospital com o meu mais novo. Com 2 anos tinha sido cosido 5 vezes: na mão esquerda, por cima de amdas as soobrancelhas, na língua e noutro sítio que já nem me lembro.
    Para mim era o pánico. Ele chegava ao hospital e já dizia aos infermeiros e ao pediatra o que tinham de fazer...
    Era um festival!!
    E sempre foi muito bem tratado!!!

    Ainda bem que a tua princesa só teve um golte e que vai recuperar sem dano.
    As melhoras para ela, e para o susto dos pais.
    :)


  5. annie hall
    terça-feira, 15 de junho de 2004 @ 00:30

    A sério que estou envergonhada!!!Então é trambolhão? Ora seja como for sempre se disse que debaixo do menino/a e do boracho sempre Deus pôe a mão por baixo e depois cá estão os peds para fazer o resto,mesmo cansadinhos depois de umas 15 horitas de serviço.Dá para desculpar a gramática,não dá:)

  6. ruben_dig
    terça-feira, 15 de junho de 2004 @ 00:12

    eu por acaso o ano passado trabalhei no maria pia um hospital pediatrico do porto e fui testemunha de muitos casos como o que descreveste ...


    De qualquer maneira está atento nos proximos tempos, eu nao sei a gravidade da lesão, espero que tenha sido como a minha que tenho 12 pontos por ter escorregado na primária e batido com a testa numa cadeira e nunca tive mais problema nenhum, mas um primo meu bateu numa esquina de cimento e nunca mais foi uma pessoa equilibrada mentalmente, embora inicialmente ninguém se tivesse apercebido disso ...

    Outro problema é de um vizinho meu que por ter tido um acidente de automovel e bateu ligeiramente com a cabeça no volante passado 6 meses sofreu um descolamento da retina e ficou cego de um olho ...

    Não te quero alarmar, nem se calhar há razao para isso ... mas a prevenção e uns exames de rotina periodicamente não fazem mal nenhum ...

    Grande emoção ser pai :)

    espera até ser sogro ;)

  7. Ana [Lua]
    segunda-feira, 14 de junho de 2004 @ 20:00

    fico contente por ter corrido tudo bem

  8. Jazzy
    segunda-feira, 14 de junho de 2004 @ 15:22

    Annie,

    Obrigado pelos votos (ontem lembrei-me de si, enquanto a mãe da I telefonava ao pediatra).

    Sempre achei que não são só as coisas más que devem ser publicitadas. Especialmente os agradecimentos também o devem ser.

    As corridas e os pulos de ontem à noite e de todo o dia de hoje têm causado as maiores "dores de barriga" ao pai.

    A I vai de certeza dar ainda muitos trambolhões, mas espero que sejam simples trambolhões.

    A I e a irmã, a C são as minhas princesas.

  9. annie hall
    segunda-feira, 14 de junho de 2004 @ 14:36


    Nem imagina a satisfação que me dá quando vejo alguem reconheçer o trabalho que se faz.Foi em viana ,podia ter sido noutro.Agora espero que ela a I nunca mais dê tranbulhões e não tenha de ser uma princessinha corajosa de novo:)))Basta-lhe ser a princesa do pai:)))
    Boas melhoras.

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